Um filme que apresenta os elencos dos clubes pernambucanos que participaram do Torneio dos Terceiros Times em 1930.
Vale bastante a pena assistir!
Não se trata apenas de um presente para os rubro-negros, mas para todos os torcedores pernambucanos. Confiram:
*O filme não faz parte do acervo do blog, foi encontrado na própria Internet. O blog apenas tornou visível aquilo que estava invisível aos torcedores e à imprensa pernambucana.
Ainda no clima da Copa do Brasil, uma curiosidade:
Quantos técnicos foram campeões desta copa e treinaram o Sport?
Ao todo, nove treinadores vencedores da Copa do Brasil já comandaram o rubro-negro.
Foram eles, com o ano de suas respectivas conquistas: Jair Pereira (1990), Antônio Lopes (1992), Pinheiro (1993), Eduardo Amorim (1995), Levir Culpi (1996), Péricles Chamusca (2004), Dorival Júnior (2010), Ricardo Gomes (2011) e, claro, Nelsinho Baptista (2008).
Pinheiro foi o técnico rubro-negro no início do Brasileiro de 1971.
Antônio Lopes treinou o Leão em parte do Pernambucano de 1988.
Eduardo Amorim, durante várias partidas do Brasileiro de 1997.
Ricardo Gomes comandou o Sport em alguns jogos do Brasileiro de 1999.
Jair Pereira e Levir Culpi participaram do desastroso ano de 2001.
Dorival Júnior foi um dos responsáveis pelo acesso à Série A em 2006.
Nelsinho Baptista, além da Copa do Brasil, conquistou o bicampeonato pernambucano 2008/2009 e liderou o time na Copa Libertadores de 2009.
Por fim, Péricles Chamusca rebaixou o clube no Brasileiro de 2009.
Pinheiro, Antônio Lopes, Eduardo Amorim e Ricardo Gomes.
Jair Pereira, Levir Culpi, Dorival Júnior e Péricles Chamusca
O ídolo Leonardo. Fez gols em 4 participações (1995, 1998, 1999 e 2001).
Zagueiro-artilheiro? Gaúcho com 4 gols.
Abaixo o ranking com os 10 maiores artilheiros do Sport na Copa do Brasil: Hélio, Valdir Papel, Cléber Santana, Leonardo, Romerito, Carlinhos Bala, Gaúcho, Jackson, Nildo e Rinaldo.
Certamente, muitos amigos se surpreenderão...
*Todos os dados foram coletados da Futpédia. **Atualizado até a Copa do Brasil 2011.
Para muitos rubro-negros, o ano do Sport se inicia com o rolar da bola no Campeonato Pernambucano.
Para este blog não. Defendemos a causa "estadual é pré-temporada". Nosso ano começa para valer apenas com a Copa do Brasil, principal competição do Sport no 1º semestre.
Como estamos bem próximos de mais uma participação, nada melhor que uma pequena série de posts sobre esta copa que é a cara do Sport!
Comecemos, então, apresentando algumas ilustrações que resumem o desempenho do clube em 17 participações de Copa do Brasil.
A Seleção Pernambucana é a seleção estadual que representa a Federação Pernambucana de Futebol em competições oficiais e amistosos.
Diferentemente das seleções nacionais, não se trata de uma time formado unicamente por jogadores pernambucanos, mas sim de uma equipe com os melhores jogadores que atuam nos clubes pernambucanos.
Ademir Menezes e Djalma Bezerra
defendendo a Seleção Pernambucana
em 1941
Durante toda sua história, alinhou inúmeros craques que defendiam o Sport. Marcílio Aguiar, Manuelzinho, Ademir Menezes, Djalma Bezerra, Zé Maria, Traçaia, Alemão, Djalma Freitas, Manga, Biro-Biro, Dadá Maravilha, Leão, Betão, Ribamar, Robertinho, Magrão, Durval e Carlinhos Bala são apenas alguns dos grandes rubro-negros que vestiram a camisa azul e branco.
Seu período áureo foi entre 1923 e 1962, quando teve a competência de defender o futebol pernambucano nas edições do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais (única competição nacional existente até 1959), logrando destacadas campanhas, como o vice-campeonato de 1959 e a 4a colocação de 1956.
Em 1959, foi convidada pela CBD (atual CBF) para representar a Seleção Brasileira no Sul-Americano Extra de 1959 (atual Copa América). Naquela ocasião, recebeu da imprensa sudestina a pejorativa alcunha de "cacareco". Porém, o honroso 3º lugar no Sul-Americano Extra somado ao 2º lugar no Brasileiro de Seleções Estaduais calaram os críticos e fizeram com que os pernambucanos orgulhosamenteincorporassem o apelido de Cacareco para denominar a Seleção Pernambucana.
Alguns distintivos históricos da Seleção Pernambucana (FPF)
Ao longo dos anos, disputou vários amistosos, destacando-se os embates contra a Seleção Brasileira. No total, foram cinco confrontos entre a Canarinho e a Cacareco: quatro vitórias verde-amarelas e um empate (Pernambuco 3x5 Brasil em 1934, Pernambuco 0x2 Brasil em 1956, Pernambuco 1x6 Brasil em 1969 e Pernambuco 0x0 Brasil em 1978).
A Seleção Brasileira, aliás, não foi a única seleção nacional a enfrentar a Cacareco. Em 1965, em comemoração aos 50 anos de fundação da FPF, foi realizado um amistoso contra a Alemanha Ocidental. Vitória histórica dos pernambucanos por 1x0.
Seleção Pernambucana de 1946. Rubro-negros em pé: Pedrinho (1º), Chicão (4º), Manuelzinho (5º) e Zago (6º).
Rubro-negros agachados: Zezinho (1º), Nelsinho (2º), Edgar (4º) e Pitota (5º).
Após a excursão à Europa e Oriente Médio de 1957, o Sport voltou a jogar em terras estrangeiras somente em 1961, quando decidiu promover algumas partidas no Suriname. Naqueles dias, o clube estava em excursão pelo Norte do Brasil e aproveitou a proximidade geográfica para se apresentar na antiga colônia holandesa.
Apesar de possuir um futebol local bastante modesto, o Suriname é conhecido mundialmente por gerar vários jogadores de classe internacional, como Ruud Gullit, Edgar Davids, Clarence Seedorf, Frank Rijkaard (descendente) e tantos outros.
Em território surinamês, o Sport conquistou três vitórias em três partidas. Duas contra o selecionado local e uma contra o SV Transvaal, único time do Suriname com projeção continental, possuindo dois títulos da Copa dos Campeões da CONCACAF (atual Liga dos Campeões da CONCACAF, principal torneio de clubes desta confederação, cujo título dá vaga ao Mundial de Clubes da FIFA).
Depois desta passagem pelo pequeno país sul-americano, o Sport jogaria novamente fora do Brasil apenas em 1963, pelo Torneio de Nova York.
Aderivaldo Correia de Arruda, o Alemão, recifense, irmão do excepcional goleiro Manga, é o maior zagueiro-artilheiro da história do Sport, com 59 gols.
Defensor de pouca técnica, porém muita raça e vontade, dispunha de um dos chutes mais fortes do futebol brasileiro em todos os tempos. Utilizando-se deste recurso, o "Canhão da Ilha" cansou de fazer gols em cobranças de faltas e pênaltis.
Seus poderosos arremates renderam vários relatos incríveis, que incluem desde redes furadas, jogadores desmaiados ou braços quebrados até penalidades máximas cobradas no travessão com a bola voltando até o meio-campo sem tocar o chão.
Alemão iniciou sua carreira futebolística no juvenil do Sport em 1956. Disputou suas primeiras partidas pela equipe principal em 1959, e começou a se firmar entre os titulares no ano seguinte.
Em 1961, ao lado de craques como Traçaia, Raúl Bentancor e Djalma Freitas, conquistou o Campeonato Pernambucano, marcando um dos gols rubro-negros na finalíssima contra o Náutico na Ilha do Retiro. Após a partida, ainda uniformizado, pagou a promessa de ir a pé até a concentração do Sport na Caxangá.
Em 1962, voltou a conquistar o Campeonato Pernambucano, marcando três dos quatro gols do Sport nas duas finais contra o Santa Cruz. Depois do último jogo, outra vez cumprindo promessa, caminhou da Ilha do Retiro até o Pina.
Ainda em 62, foi semifinalista da Taça Brasil, tendo sido eliminado somente pelo Santos de Pelé.
Em 1963, participou do Torneio de Nova York e novamente da Taça Brasil, marcando gols em ambas competições. Continuou no Sport até 1965, quando foi negociado para o futebol sudestino.
Curiosamente, no Sudeste, teve seus tiros livres prejudicados pela astúcia do oponente pernambucano Almir. Como Alemão tomava muita distância da bola, o Pernambuquinho decidiu se interpor estático no meio do caminho, respeitando a distância regulamentar, fazendo com que o zagueiro tivesse que desviar dele durante a corrida. Resultado: o chute saía descalibrado. A partir desta constatação, todos os adversários passaram a lançar mão da "barreira dupla" (uma barreira antes e outra depois da bola) nas cobranças de Alemão.
Em Recife, no dia 14 de setembro de 1984, com apenas 44 anos de idade, o já aposentado zagueiro-artilheiro faleceu,vítima de um problema cardíaco.
Gentil Alves Cardoso, nascido a 5 de julho de 1906 no Recife, falecido a 8 de setembro de 1970 no Rio de Janeiro-RJ, é considerado o mais notável técnico pernambucano de todos os tempos.
O "Moço Preto" foi um dos maiores treinadores do futebol brasileiro nas décadas de 40 e 50. Era uma figura singular. Folclórico. Uma espécie de técnico-filósofo. Não raramente, citava Cícero, Sócrates, Gandhi e Sêneca. Tinha como marca registrada dirigir seus treinos com um inseparável boné e um megafone em punho. Foi pioneiro no uso de sistemas táticos no futebol brasileiro. Teve a primazia de revelar nada mais nada menos que Garrincha. Ganhou vários títulos. Porém, entrou para a eternidade por algumas de suas frases, que se incorporaram definitivamente ao vernáculo futebolístico, como "vai dar zebra", "futebol é uma caixinha de surpresas" e outras várias as quais veremos no final do post.
Em 1955, o frasista Gentil Cardoso estava voltando ao Recife para treinar o Sport. Uma fortuna foi gasta pelo então presidente Adelmar Costa Carvalho para trazer do Sudeste o famoso técnico. Sua principal missão: ser campeão do Cinquentenário do clube.
O "Moço Preto" montou uma verdadeira seleção. Trouxe Ely do Amparo, médio com experiência de duas Copas do Mundo, e o goleiro Osvaldo Baliza, que também tinha passagem pela Seleção Brasileira. Além disso, formou a linha de ataque Traçaia, Naninho, Gringo, Soca e Geo.
Contudo, no início dos trabalhos, o time não estava dando resultado. Após uma desastrosa partida, Gentil desabafou:
"Parece que a bola é redonda demais para meus meninos".
O presidente Adelmar decidiu então chamar o técnico para uma conversa, que resultaria no histórico diálogo:
"O que há, Gentil? Pediste os jogadores, e eles aí estão. Qual o problema?"
"O time é bom, mas falta o entrosamento, presidente".
"Então contrata, contrata logo".
O entrosamento foi devidamente "contratado", e o time bailou no certame estadual. Gentil cumpriu sua missão, e voltou ao Sudeste como campeão pernambucano de 1955.
Em 1959, assumiu o comando técnico da Seleção Pernambucana para a disputa do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Conseguiu a façanha de ser vice-campeão, vencendo fortes adversários, como a Seleção Paulista de Pelé, Gilmar e Zito.
Ademir Menezes e Gentil Cardoso
no Sudeste
Naquele mesmo ano, a Seleção Pernambucana de Gentil representou a Seleção Brasileira no Sul-Americano Extra (atual Copa América), quando recebeu a tradicional alcunha de "Cacareco".
Somente ter treinado a Canarinho nesta situação extraordinária, aliás, foi uma das grandes frustrações de Gentil Cardoso, que alegava racismo:
"Numa certa época, no Rio de Janeiro, entre três técnicos em evidência, eu era o único que preenchia os requisitos legais (para ser técnico da Seleção), além dos campeonatos conquistados. Terminei sendo preterido. Por dois calouros na profissão. Tudo por causa da cor. Nada mais..."
Em 1966, Gentil ainda retornaria ao Sport, mas sem o destaque da passagem anterior.
Gentil Cardoso e o Sport campeão do Cinquentenário.
Algumas das frases atribuídas a Gentil Cardoso:
"Vai dar zebra". (a zebra não faz parte do rol de animais do jogo do bicho, metáfora ao improvável no futebol)
"A melhor defesa é o ataque".
"Futebol é uma caixinha de surpresas".
"Quem não faz, leva".
"O craque trata a bola de você, não de excelência"
"Eu quero que vocês vão na bola como num prato de comida"
"Deem-me Ademir e lhes darei o título". (promessa cumprida integralmente...)
"Quem se desloca, recebe. Quem pede, tem preferência". (alguma semelhança com o Barcelona atual?)
"Só me chamam pra enterro, ninguém me convida pra comer bolo de noiva". (o técnico sempre era chamado para dirigir times em momentos de turbulência)
"Se a bola é feita de couro, se o couro vem da vaca e se a vaca come capim, então a bola gosta de rolar na grama e não ficar lá por cima; portanto, meus filhinhos, vamos jogar com ela no chão".
Vídeo de uma pequena entrevista com Gentil Cardoso em 1967, no Sudeste: