quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Real Madrid 5x3 Sport (1957)




























Imagine uma partida entre Sport e o maior clube de futebol do mundo, durante sua melhor época, com um público de mais de 70.000 pessoas... Sonho? Não, história.

Maio de 1957. O Sport estava em excursão pela Europa. O Real Madrid vivia os melhores dias de sua história, um período que rendeu 5 títulos consecutivos da Taça dos Campeões Europeus (atual UEFA Champions League): 1955-56, 1956-57, 1957-58, 1958-59 e 1959-60.

Acordou-se um amistoso entre as equipes para a inauguração da iluminação artificial do Santiago Bernabéu. 

Raymond Kopa
O Real Madrid jogaria sem Di Stéfano, La Saeta Rubia, então melhor jogador do mundo. Caberia a Raymond Kopa o papel de maestro dos merengues. Kopa que no ano seguinte ganharia o Ballon D'Or, prêmio de melhor jogador da Europa (que hoje é dado ao melhor jogador do mundo pela FIFA). Kopa que brilharia na grande campanha da França na Copa de 58, ao lado de Just Fontaine.

A bola rolou em 18 de maio de 1957. Mal começou o jogo e os blancos saíram na frente com um gol de Castaños. Traçaia, maior artilheiro da história do Sport, empatou aos 37 minutos. Antes de terminar o 1º tempo, Pérez Payá deixou os espanhóis em vantagem novamente. 

Tão logo se iniciou a etapa complementar, Marsal marcou o terceiro dos madrilenos. A partir dos 15 minutos, veio a reação rubro-negra: Eliezer diminuiu após falha de Navarro e, cinco minutos depois, Naninho empatou a partida. Mas a reação parou por aí. Os merengues voltaram a marcar por meio de Castaños, e, por fim, o craque Kopa fechou o placar com uma belíssima jogada individual. Real Madrid 5x3 Sport.












Dados da partida:

REAL MADRID 5X3 SPORT

REAL MADRID: Visa (Zumalabé); Alvárez, Oliva e Navarro, Rubio e Ruiz;  Castaños, Pérez Payá (Joselín), Kopa, Marsal e Molowny.

SPORTCarijó; Bria e Servílio; Osvaldinho, Pinheirense e Rubens; Traçaia, Naninho, Ilo Caldas, Soca e Geo (Eliezer).

Gols: Castaños (2), Pérez Payá, Marsal, Kopa, Traçaia, Naninho e Eliezer.


Naninho e Traçaia marcaram no Santiago Bernabéu.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Excursão à Europa e Oriente Médio de 1957





















Após realizar excursões por várias localidades do Brasil, o Sport decidiu, enfim, conhecer o mundo em 1957. Seriam as primeiras apresentações do clube em terras estrangeiras.

O esquadrão rubro-negro, então comandado pelo argentino Dante Bianchi, tinha como arma principal a linha de ataque Traçaia, Naninho, Gringo, Soca e Geo. Contudo, não poderia contar com outra peça fundamental, o ídolo Mirim, que acabara de sofrer um acidente envolvendo um bonde. 

Na partida da delegação, a entusiasmada torcida marcou presença no Aeroporto do Ibura, atual Aeroporto Internacional dos Guararapes, sob o lema "Com o Sport, onde o Sport estiver".

Portugal foi escolhido como palco do primeiro jogo longe do Brasil, e o tradicional Sporting de Lisboa, como adversário. Na verdade, se tratava de uma revanche, pois, em 1952, o Sporting havia sido derrotado pelos rubro-negros, por 2x1, na Ilha do Retiro. Dessa vez, os portugueses sairiam vencedores, devolvendo o mesmo placar: 2x1. 

Manga: destaque na Excursão
de 1957.
Nesta partida, o goleiro Osvaldo Baliza contundiu-se, fato que resultou na convocação do jovem goleiro Manga, que estava no Brasil, para ser reserva, a princípio, do novo titular Carijó. Ao longo da excursão, porém, Manga conquistaria a titularidade, posição na qual permaneceria até sua saída do clube, em 1959. 

Outra importante baixa no elenco durante a excursão foi o atacante Gringo, também contundido, fato que acabou desfigurando a famosa linha de ataque, e abrindo espaço para Eliezer, que abraçou a oportunidade e mostrou seu bom futebol.

O jogo mais importante da excursão, sem dúvidas, foi o embate contra o Real Madrid. Não apenas pela oportunidade de enfrentar o melhor time do mundo na época, mas por se tratar de uma ocasião especial também para os madrilenos: a iluminação artificial do Santiago Bernabéu seria inaugurada naquela partida. No final, a festa foi mesmo merengue, com um 5x3 sobre os rubro-negros.

Durante a campanha, o Sport enfrentou equipes da Alemanha, Espanha, França, Holanda, Turquia e Israel, findando com um saldo de 7 vitórias, 4 empates e 10 derrotas em 21 jogos.


Time-base do Sport na Excursão à Europa e Oriente Médio de 1957:

Carijó; Bria e Servílio; Osvaldinho, Pinheirense e Rubens; Traçaia, Naninho, Gringo, Soca e Geo. Técnico: Dante Bianchi.

Outros titulares:
Manga, Osvaldo Baliza, Pedro Matos, China, Zé Maria, Eliezer, Ilo Caldas e Dario Souza.


Naninho, artilheiro do Sport na
Excursão de 57.
Campanha:

Sporting 2x1 Sport (José Alvalade, 06 abr 57)
Gols do Sport: Naninho

Maccabi Tel Aviv 2x2 Sport (Tel Aviv - Israel, 20 abr 57)
GdS: GringoTraçaia

Maccabi Haifa 1x5 Sport (Haifa - Israel, 22 abr 57)

Hapoel Ramat Gan 2x5 Sport (Ramat Gan - Israel, 24 abr 57)
GdS: Traçaia (2), Naninho, Geo e Eliezer

Seleção de Haifa 1x3 Sport (Haifa - Israel, 27 abr 57)

Seleção de Jerusalém 1x5 Sport (Jerusalém, 29 abr 57)
GdS: Naninho (2), Geo, Ilo CaldasTraçaia

Seleção da Turquia 2x5 Sport (Istambul, 01 mai 57)
GdS: Naninho (3), GringoTraçaia

Traçaia deixou vários gols em
terras estrangeiras.
Beykoz 1908 3x2 Sport (Istambul, 02 mai 57)
GdS: Eliezer e Gringo

Seleção da Turquia 1x2 Sport (Istambul, 04 mai 57)

Beşiktaş 2x2 Sport (Istambul, 07 mai 57)

Olympique de Marseille 1x0 Sport (Caen - França, 22 mai 57)
GdS: -
GdS: Eliezer e Naninho

Sochaux 5x4 Sport (Sochaux - França, 27 mai 57)
GdS: Traçaia (2), Naninho e Eliezer

Karlsruhe 2x1 Sport (Karlsruhe - Alemanha, 29 mai 57)
GdS: Traçaia
Carijó perdeu a titularidade para
 Manga durante a excursão.

Fortuna 54 1x1 Sport (Geleen - Holanda, 04 jun 57)
GdS: Naninho

Angers 3x2 Sport (Angers - França, 07 jun 57)
GdS: Traçaia e Zé Maria

Rouen 3x4 Sport (Rouen - França, 08 jun 57)
GdS: Naninho (2), Eliezer e Dario Souza

Fortuna 54 3x0 Sport (Nijmegen - Holanda, 12 jun 57)
GdS: -

Enschede 0x0 Sport (Enschede - Holanda, 13 jun 57)
GdS: -

Osasuna 3x2 Sport (Orense - Espanha, 23 jun 57)
GdS: Traçaia e Geo


*Todos os dados foram coletados da obra de Carlos Celso Cordeiro.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Patrocinadores - Parte 1

Aos desavisados, primeiramente deixo claro que a CHESF não é a nova patrocinadora do Sport. Não há sequer rumores disto.

Este post, na verdade, tem o intuito apenas de provocar os nossos dirigentes, que podem, quem sabe um dia, trabalhar com esta possibilidade.

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco é a empresa mais lucrativa do setor elétrico do Brasil e maior empresa com sede em Pernambuco.


É um curioso caso de subsidiária que lucra 5 vezes mais que a própria controladora, a Eletrobrás.


Eletrobrás que há um tempo tornou-se patrocinadora do Vasco da Gama do Rio de Janeiro, um ótimo contrato de 14 milhões anuais.

Eletrobrás que também possui como subsidiária a Eletrosul, prima pobre da CHESF, que tem sede em Florianópolis e patrocina Avaí e Figueirense, clubes os quais, com todo respeito devido, possuem menos torcida e tradição que o Sport.


Diante da presença da Eletrobrás e Eletrosul no futebol, faço o seguinte questionamento: Por que a CHESF, justo a empresa mais forte do grupo, não investe no Sport e no futebol pernambucano?

A CHESF tem autonomia, é independente operacional e politicamente, suas decisões emanam do Recife, sua diretoria é composta por pernambucanos... Teria contexto melhor que este?

Tenho convicção que uma empresa com alma pernambucana nos valorizaria bem mais na hora de fechar um contrato que, por exemplo, empresas sudestinas.

Será que uma iniciativa de nossos dirigentes poderia viabilizar uma grande parceria?

Com a palavra, aqueles que fazem o clube...


sábado, 15 de outubro de 2011

Pan e o Sport





















Os Jogos Pan-Americanos é um grande evento multiesportivo quadrienal organizado pela ODEPA, considerado por muitos como as "Olimpíadas das Américas". 

Mas o que o Sport tem a ver com isso? 

Sabe-se que o Sport jamais enviou atletas do futebol masculino diretamente aos Jogos Pan-Americanos. 

Luís Carlos
Porém, em 1987, a torcida rubro-negra certamente se sentiu representada nos Jogos. 

Isto porque Luís Carlos, o 4° maior artilheiro da história do Sport, foi convocado para vestir a canarinho no Pan de Indianápolis. 

O goleador tinha acabado de sair do Sport, após uma negociação que rendeu ao clube o grande craque Éder e o ídolo Ribamar, campeão brasileiro de 1987, além de uma boa grana.

Luís Carlos foi titular na maioria dos jogos e alcançou a glória ao conquistar a medalha de ouro.

Vários outros jogadores tiveram a experiência de jogar o Pan e vestiram a camisa do Sport depois. São exemplos: Cardoso (medalha de ouro no Pan de São Paulo em 1963), Pitta e Bianchi (medalha de ouro no Pan da Cidade do México em 1975), Vágner Basílio, Cléo e João Luiz (medalha de ouro no Pan de San Juan em 1979), Marcus Vinícius (medalha de bronze no Pan de Caracas em 1983), Valdo e João Paulo (medalha de ouro no Pan de Indianápolis em 1987), e Cleiton Xavier e Gabriel (medalha de prata no Pan de Santo Domingo em 2003).

Bárbara
No futebol feminino, uma atleta formada no Sport e grande rubro-negra também conseguiu levar uma medalha de ouro do Pan para casa: a goleira Bárbara. Tal conquista se deu em 2007. Este ano ela tenta repetir a dose.

No Pan de Guadalajara, que acaba de começar, além da goleira Bárbara, outras três atletas contarão com um carinho especial da torcida do Sport. São elas Dani Lins e Jaqueline no vôlei, e Samira no handebol, todas com passagem pela Praça da Bandeira.

Luís Carlos (embaixo, antepenúltimo, da esquerda para a direita) e a Seleção medalha de ouro no Pan de Indianápolis.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Djalma Freitas

























Djalma Nascimento de Freitas, o Djalma (ou Djalma Freitas neste blog), nascido no dia 27 de novembro de 1941 em Recife, falecido a 14 de junho de 2012, é o segundo maior artilheiro da história do Sport, com 159 gols, atrás apenas de Traçaia (202 gols).

Centroavante rompedor, goleador nato, valente, viril e que nunca dava um lance como perdido. Foi o pesadelo dos defensores adversários durante sua carreira no Brasil e em Portugal. Fora de campo, era a antítese do profissional exemplar: indisciplinado, farrista, boêmio e amante das mulheres. Talvez por estas características, tornou-se um jogador folclórico, sempre lembrado pelos pernambucanos e lusitanos que o viram jogar.

Djalma chegou ao Sport em 1959, aos 17 anos, após belas apresentações vestindo a camisa do América na temporada anterior. A despeito de sua pouca idade, foi peça importante na boa campanha do Sport na Taça Brasil de 59, jogando ao lado de lendas rubro-negras, como Raúl Bentancor e Traçaia.

Não demorou para que o jovem atacante percebesse que sua vocação era fazer gols. No ano seguinte, sagrou-se artilheiro do Campeonato Pernambucano com 35 gols, um a menos que o recorde da época, que pertencia ao também rubro-negro Pacoti (36 gols no Pernambucano de 1958).

Vitória de Guimarães
Em 1961, a fama dos gols de Djalma já não se resumia ao território pernambucano, despertando interesse de clubes sudestinos. O Sport aceitou emprestá-lo por um curto período, para que ganhasse experiência. Durante o empréstimo, Djalma obteve sucesso, marcando muitos gols numa excursão pela América do Sul.  Após seu retorno, obviamente houve tentativas de contratá-lo em definitivo, mas desta vez o Sport não facilitou sua saída, fazendo com que o artilheiro permanecesse em Recife.

Naquele mesmo ano, Djalma participou da pequena excursão ao Suriname e conquistou o Campeonato Pernambucano, seu primeiro título na Ilha do Retiro, marcando 2 gols nas finais.

Em 1962, voltou a conquistar o Campeonato Pernambucano, e contribuiu decisivamente com que o Sport chegasse às semifinais da Taça Brasil, primeira semifinal nacional da história do clube.

Porto
Na temporada seguinte, foi o artilheiro do Sport no Torneio de Nova York, com 4 gols, e participou de sua terceira Taça Brasil, da qual o rubro-negro saiu com a 5a colocação.

Apenas em 1965, Djalma deixaria o Leão da Praça da Bandeira rumo a Portugal onde escreveria mais uma bela página de sua história.

Estreou em terras portuguesas vestindo a camisa do Vitória de Guimarães. Em sua primeira "época", já demonstrou seu faro de goleador, marcando 18 "golos" em 22 jogos. Poderia ter ido mais longe:  uma suspensão de 6 partidas, por agressão, inviabilizou a conquista da artilharia daquele Campeonato Português, que findou nas mãos do lendário Eusébio.

Ainda naquela temporada, Djalma protagonizou uma grande proeza contra o Braga, maior rival do Vitória de Guimarães. O craque marcou os 6 gols da vitória por 6x2 em casa, e mais os 5 gols da vitória por 5x3 no jogo de volta, fora de casa, totalizando incríveis 11 gols no chamado "Derby do Minho".

Belenense
Diante de tais feitos, o então técnico de Portugal, Manuel da Luz Afonso, chegou a lamentar publicamente o fato de Djalma não ser português, pois senão reservaria-lhe um lugar na Seleção Portuguesa

Após a brilhante "época" de 1965/66, Djalma foi contratado pelo Porto, onde se tornou o jogador com maior salário do clube. Durante 4 temporadas no maior clube de Portugal, disputou 72 jogos, marcou 42 gols e conquistou a Taça de Portugal de 1967/68.

Depois da passagem pela cidade do Porto, já no ocaso de sua carreira, defendeu ainda as cores do Belenense, Clube Oriental de Lisboa, Marinhense e Espinho.

Dentre os 159 gols de Djalma com a camisa rubro-negra, estão inclusos 9 hat-tricks. Marcou ainda 4 gols em uma única partida duas vezes (Sport 4x0 Santa Cruz e Sport 8x1 Asas, ambos em 1960) e 5 gols em duas outras oportunidades (Sport 8x1 Íbis e Sport 7x0 Íbis, ambos também em 1960). Em 1962, estabeleceu seu recorde no Sport ao marcar 6 gols em uma partida contra o Santo Amaro que terminou em 6x3.


Alguns números sobre os gols de Djalma no Sport:
  • Amistosos e torneios amistosos: 81 gols;
  • Taça Brasil: 3 gols;
  • Torneio de Nova York de 1963: 4 gols;
  • Campeonato Pernambucano: 71 gols;
    •    1959 - 2 gols;
    •    1960 - 35 gols;
    •    1961 - 7 gols;
    •    1962 - 8 gols;
    •    1963 - 7 gols;
    •    1964 - 12 gols.


Gols de Djalma contra times grandes e médios do Brasil:

Bahia - 1 gol;
Vitória - 1 gol.

*Todos os dados foram coletados da obra de Carlos Celso Cordeiro.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Rildo

























Rildo da Costa Menezes, ou Rildo para o mundo da bola, nascido no dia 23 de janeiro de 1942 em Recife, é apontado como um dos melhores laterais-esquerdos do futebol nacional na década de 60.

Sua carreira teve início nas categorias de base do Sport, que àquela época já havia gerado craques como Ademir, Vavá, Manga e Almir. Porém, em oposição a estes, Rildo sequer chegou a jogar na equipe principal rubro-negra: partiu para o Sudeste ainda na condição de juvenil em 1959.

Naquela região, praticou um extraordinário futebol, que rendeu-lhe vida longa na Seleção e títulos importantes, como o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, a Supercopa Sul-Americana dos Campeões Intercontinentais (ancestral da atual Recopa Sul-Americana) e a extinta Recopa dos Campeões Intercontinentais, todos em 1968.

Defendeu a Seleção Brasileira entre os anos de 1963 e 1969, totalizando 49 participações, fazendo com que Rildo seja, até hoje, o jogador revelado pelo Sport com o maior número de jogos pela Canarinho

Foi pré-convocado para a Copa de 1962, mas acabou sendo cortado. Jogou a  Copa do Mundo de 1966, onde marcou seu único gol com a camisa da Seleção. Disputou ainda todos os jogos das Eliminatórias da Copa de 1970, porém a substituição de João Saldanha por Zagallo no comando técnico resultou em sua exclusão do Mundial. 

No final da carreira, vestiu a camisa do famoso New York Cosmos, onde teve a felicidade de jogar ao lado de lendas do futebol internacional, como Cruyff, Platini, George Best, Beckenbauer e Neeskens. 


Vídeo com o gol de Rildo na Copa de Mundo de 1966:



terça-feira, 30 de agosto de 2011

Almir Pernambuquinho

























Almir Morais de Albuquerque, o Almir Pernambuquinho, nascido a 28 de outubro de 1937 no Recife, falecido a 6 de fevereiro de 1973 no Rio de Janeiro-RJ, é considerado um dos mais talentosos e controvertidos jogadores da história do futebol nacional.

Atacante com enorme talento técnico, brigador e que tomava para si a responsabilidade de conquistar vitórias a qualquer custo, mesmo que para isto fosse necessário jogar sob os efeitos da anfetamina.

Entrou para o folclore do futebol brasileiro não apenas por suas jogadas geniais, ou por sua raça nas partidas, mas também por suas confusões dentro e fora de campo.

Em certa fase da carreira, foi chamado de "Pelá Branco", mas a alcunha que mais perfeitamente o descreve é de autoria do grande pernambucano Nelson Rodrigues: "Divino Delinquente".

Começou jogando pelas categorias de base do Sport. Em seu primeiro ato no futebol, resumiu o que viria a acontecer em toda sua carreira: conquistas e confusões. Não satisfeito apenas com a vitória que o tornou campeão pernambucano juvenil de 1955, ano do Cinquentenário do Sport, Almir vestiu as mãos com suas chuteiras e correu atrás de um torcedor alvirrubro, que o havia xingado durante toda a partida, até uma ponte próxima à Ilha do Retiro, onde enfim conseguiu surrá-lo.

Em 1956, jogou poucas partidas pela equipe principal do Sport, e logo chamou a atenção do Sudeste. Em pouco tempo, Almir estava demonstrando sua técnica naquela região, com a responsabilidade de manter a tradição rubro-negra de revelar grandes craques, sucedendo assim Ademir e Vavá.

No Sudeste, ganhou vários títulos, com destaque para os títulos da Taça Brasil de 1963 e 1964, Libertadores da América de 1963 e Mundial de Clubes de 1963. Nesta última conquista, teve a difícil missão de substituir Pelé:

"Eu peguei a camisa número 10 mais famosa do mundo e fiz uma promessa a mim mesmo: vou jogar por mim e pelo negão".

Acabou correspondendo à altura, inclusive cavando o penalty que gerou o gol do título. Não deixou, porém, de quebrar um jogador adversário.

Almir no Boca
Jogou um tempo na Argentina, pelo Boca Juniors, onde foi campeão argentino de 1962, título com pouca participação do craque devido às contusões. Mas não deixou de aprontar por lá também. Foi numa partida contra o Chacarita:

“No começo do segundo tempo armei uma briguinha, e queria levar uns dois ou três comigo. Mas o juiz errou, somente eu fui expulso. Fui deixando o campo debaixo de vaias. Minha sorte foi a burrice de um jogador do Chacarita, que começou a me ofender. Chamei-o e ele quis dar uma de valente. Foi ele chegar e receber uma bolacha na cara. Todo mundo brigou, dois jogadores deles foram expulsos e eu entrei no vestiário como herói. Acabamos ganhando”.

Teve ainda passagem na Itália, vestindo a camisa da Fiorentina e do Genoa.

Pela Seleção Brasileira, foi pré-convocado para a Copa de 1958, mas fez corpo mole nos treinos para ser cortado:

“Seleção é coisa falsa. Os jogadores trocam porradas em seus times e aqui parece que nada aconteceu. Sou um homem que não aceita isso.”

Porém, apesar de sua antipatia pela Seleção, decidiu participar do Sul-Americano de 1959 (atual Copa América). Resultado: briga generalizada entre Brasil e Uruguai provocada, obviamente, pelo Pernambuquinho.

No total, jogou apenas 8 jogos pela Seleção, entre 1959 e 1960, marcando 2 gols e, claro, sendo expulso 1 vez.

Após parar de jogar, em 1973, acabou sendo assassinado com um tiro de revólver em uma briga, num bar de Copacabana. Acabava dessa forma a conturbada história do "Divino Delinquente". 


“Quebrei a perna do Hélio, do América. Briguei com o time inteiro do Bangu na decisão do Campeonato Carioca de 1966. Paralisei o Milan num jogo em que o Santos se sagrou bicampeão mundial: dei um chega-pra-lá no Amarildo e chutei a cabeça do goleiro Balzarini. Agredi jogadores de outros times, briguei com tantos que até perdi a conta. Eu fui um marginal do futebol".


Vídeo do jogo Brasil x Uruguai pelo Sul-Americano de 1959 com participação de Almir Pernambuquinho:



Vídeo sobre uma das muitas brigas generalizadas em que Almir esteve envolvido: